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ONGs do Portal Busca Jovem discutem em encontro os desafios para a inserção de jovens aprendizes

Por Daniele Próspero / Portal Busca Jovem

Diversos desafios a serem enfrentados, mas também muitas oportunidades para a inserção de jovens aprendizes no mercado de trabalho, a partir de um trabalho em rede. Estes foram os dois focos de discussão que nortearam o encontro promovido pelo Portal Busca Jovem, no dia 12 de maio, em São Paulo, na sede da Associação Programa Educar.

Estiveram presentes no encontro representantes de 18 instituições sociais que atuam na formação de jovens em programas de aprendizagem, em acordo com a Lei 10.097/2000. A proposta do evento foi reunir as entidades para promover uma troca de experiências, conhecer as ações desenvolvidas na área e as novidades do setor, além de abrir espaço para uma conversa com o mercado de trabalho.

Segundo a avaliação das organizações, alguns desafios precisam ainda ser superados junto às empresas, principalmente em relação à falta de conhecimento da lei e dos benefícios gerados para os jovens. Para Paula Martins, coordenadora geral do CAMP Oeste, é preciso que as empresas assumam a questão da inserção profissional de aprendizes como uma postura concreta de responsabilidade social, mais do que apenas cumprir cotas. Isso porque, segundo a lei, as empresas de médio e grande porte precisam cumprir uma cota de aprendizes, que está fixada entre 5%, no mínimo, e 15%, no máximo, por estabelecimento, calculada sobre o total de empregados cujas funções demandem formação profissional.

Regina Sartório, coordenadora do CAAP Ipiranga, destacou ainda a necessidade dos empregadores entenderem que a atuação do jovem na empresa deve ser concomitante à formação na entidade, valorizando esse acompanhamento. "Precisamos discutir também o papel da empresa como formadora desse jovem", aponta Valéria Ortiz, da Associação Cultural Pró-Morato.

Conquistar a sustentabilidade das ações, buscar novas parcerias, estabelecer metas de monitoramento e avaliação e desenvolver uma formação de qualidade e em acordo com as demandas existentes também são outros temas que precisam ser levados em consideração. Há ainda questões a serem superadas na relação com os próprios jovens, como a identificação durante a seleção daqueles que de fato precisam e querem trabalhar, além mostrar a eles o valor e as oportunidades que podem surgir a partir da inserção numa empresa como aprendiz.

Mas, os desafios não são somente realidade das entidades formadoras. As empresas também precisam enfrentar diversas questões em relação à Lei de Aprendizagem. Fernanda Schoueri, do Hospital Albert Einstein, apresentou às entidades presentes no encontro esses desafios. O hospital está reformulando o seu programa de aprendizagem a fim que de novos jovens possam participar.

Atualmente, 10 aprendizes atuam na instituição, mas há um grande potencial de contratação na área hospitalar. Segundo Fernanda, um grande dificultador na contratação dos jovens é o fato do ambiente hospitalar ser insalubre e, desta forma, não ser possível o ingresso de menores de 18 anos. Além disso, a carga horária de trabalho acaba sendo menor do que a dos demais funcionários, devido ao tempo de formação que o aprendiz precisa cumprir na entidade. A falta de qualificação e formação dos jovens também é um desafio.

No entanto, os resultados têm sido positivos e, muitos desses jovens, já serão contratados antes mesmo do término de contrato de aprendizes. Todos eles são acompanhados individualmente por um gestor e, no Hospital, há um grupo de trabalho com funcionários de diversas áreas que discute as diretrizes e novas possibilidades de ação do programa.

Formação insuficiente

Tanto entidades quanto empresas têm se deparado com um cenário a ser enfrentado que vai além de suas atuações. A grande parte dos jovens que participam das formações nas organizações ou são encaminhados para as vagas de aprendizes apresentam uma defasagem educacional crítica, o que prejudica sua inserção no mercado de trabalho.

Marcelo Nonato, do Portal Busca Jovem, lembrou que "o mercado é relativamente tolerante em relação à formação técnica dos jovens que buscam o 1º emprego. Mas, não o é em relação às habilidades básicas – leitura, escrita, cálculo – e aspectos atitudinais". Trabalhar então na formação dos jovens questões como comportamento e postura, por exemplo, são aspectos a serem considerados pelas entidades.

Para o Instituto Unibanco, um dos mantenedores do Busca Jovem e também presente no encontro, é essencial incentivar que os jovens continuem na escola, em situações que tentem garantir seu melhor aproveitamento. Por isso, na opinião de Silvana Gusmão, gestora de projetos do Instituto Unibanco, o programa de aprendizagem é tão interessante: ele faz com que os jovens concluam o Ensino Médio e traz oportunidades reais de vivência profissional. No Programa de Jovens Aprendizes do Instituto os jovens têm a possibilidade de continuar estudando no período da manhã, pois cumprem 4 horas de trabalho no banco e as demais em formação.

Silvana destacou outra ação do Instituto, que é o apoio técnico e financeiro oferecido às entidades formadoras de aprendizes. Em 2007, foram selecionadas 24 organizações sociais, de 10 estados, que passaram a ser acompanhadas pelo Instituto. Em 2010, um novo edital será aberto para que a iniciativa possa beneficiar novas organizações.

Uma das entidades que contou com esse apoio é a Colméia, também participante do Portal Busca Jovem. A entidade acaba de conseguir a aprovação do seu curso de aprendizagem junto ao Ministério do Trabalho. Eliane Martins destacou a importância das entidades fazerem uma aproximação efetiva com as Diretorias Regionais do Trabalho e também estudarem com muita atenção a lei para que a aprovação seja feita sem grandes complicações. Isso porque muitas entidades ainda encontram dificuldades de validar seus cursos junto ao Ministério.

Novidades na inserção

Durante o encontro, as organizações tiveram ainda a oportunidade de conhecer algumas novidades no setor, como a Rede Pró-Aprendiz. A iniciativa, lançada em abril, durante o V Encontro Latinoamericano de Inclusão Laboral Juvenil, foi apresentada pelo professor Estêvão Daltro, coordenador da Fundação Pró-Cerrado, entidade fomentadora da rede.

Segundo Estevão, a proposta da rede é reunir e compartilhar as melhores práticas na área de formação e inserção de aprendizes a fim de potencializar as ações das instituições que atuam nesta área. A idéia é multiplicar os resultados com melhor custo-benefício, criar sinergia a partir de ações convergentes, ampliar geograficamente o atendimento colaborando no processo de formação, além de fortalecer o papel das instituições perante as entidades públicas e as empresas privadas. A proposta é mobilizar a sociedade para que a aprendizagem possa ser adotada como política pública.

Para isso, estão previstas uma série de ações a serem desenvolvidas pelas entidades que aderirem à rede, como a promoção de encontros, visitas para troca de experiências entre as instituições, prospecção de novos contratos de aprendizagem, além de outras ações que serão definidas pelas organizações participantes. "A rede é uma construção coletiva. Iremos agregar o que as entidades trouxerem", comenta Estêvão.

O coordenador da Fundação Pró-Cerrado destacou a importância dessa mobilização e trabalho em rede, a fim de que a lei possa ser cumprida de fato. Hoje, se isso ocorresse, haveria mais de 1.2 milhão de vagas para aprendizes. No entanto, apenas 140 mil estão empregados. "Acredito que esta lei pode de fato mudar a cara do país, pois traz oportunidades reais de trabalho para os jovens. Se conseguimos fazer com que esse jovem fique na escola, participe de uma formação profissional, conquiste um emprego formal, estamos realmente ofertando dignidade para ele em todas as suas relações", acredita.

Um desafio da rede, segundo Estêvão, é conseguir agregar instituições formadoras de qualidade e comprometidas com a causa em todo o território nacional, não somente nos grandes centros urbanos e capitais. Até o momento, mais de 60 instituições já aderiram à rede e muitas entidades do Portal se interessaram em participar também da iniciativa.

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