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Plano de aula 30 - Novos trabalhos

Este plano de aula foi elaborado com exclusividade para a revista Onda Jovem.

Novos trabalhos


Pedagogo sugere atividades para levar o jovem a refletir sobre a participação mais criativa e transformadora no mundo do trabalho: o empreendedorismo solidário.
     
Este plano de aula utiliza como referência o artigo “Desempregado,sim; desocupado, não”, de Iara Biderman. As sugestões de atividades são do pedagogo Francisco José Carvalho Mazzeu, professor de Prática de Ensino e pesquisador na área de Educação de Jovens e Adultos no Departamento de Didática da UNESP/Araraquara e diretor da Unitrabalho, rede universitária nacional que agrega 92 instituições de ensino superior com a missão de realizar pesquisas, estudos e capacitação profissional.

O objetivo do plano de aula é possibilitar aos jovens uma reflexão sobre os desafios e as oportunidades do mundo do trabalho contemporâneo. As atividades procuram levar o grupo a diferenciar trabalho e emprego, perceber as oportunidades e os riscos do empreendedorismo e do trabalho autônomo, compreender a necessidade de dar um significado e um sentido para o trabalho, identificar a potencialidade da economia solidária como alternativa ao desemprego e os caminhos e passos concretos para uma inserção mais criativa e transformadora no mundo do trabalho.
I) Trabalho x Emprego

Aqui se procura desenvolver a diferenciação conceitual que possibilita compreender o texto Desempregado,sim; Desocupado, não . A base dessa diferenciação é a identificação das características específicas da relação de emprego, especialmente a troca das horas de trabalho pelo salário e a subordinação à estrutura hierárquica da empresa tradicional. Essas características não estão presentes em todas as formas de trabalho.
Atividade 1: Convidar para conversar com os jovens uma liderança sindical ou de movimentos sociais dos trabalhadores, preferencialmente que tenha bastante empatia com os jovens e facilidade de comunicação. Solicitar ao convidado que conte como era o trabalho no início de sua vida profissional e como é atualmente. Solicitar aos jovens que preparem pelo menos uma pergunta cada um para ser feita ao convidado, tendo como tema As mudanças no mundo do trabalho . Sortear três jovens para fazerem perguntas ao convidado e orientar para que todos anotem os pontos principais das respostas. Se necessário, sortear outro grupo de três para fazer perguntas. Propor a formação de pequenos grupos para debater a apresentação e as respostas dadas, sintetizando as conclusões em uma tabela do tipo Antes e Agora , onde sejam registradas as principais mudanças identificadas no mundo trabalho, a partir do depoimento. Comentar as conclusões de cada grupo, destacando: a redução do emprego formal, o desaparecimento de atividades e profissões, as mudanças nas relações de trabalho no interior das empresas e as mudanças na trajetória individual do convidado na sua vivência como trabalhador.
Atividade 2: Apresentar um filme que mostre mudanças no mundo do trabalho e a reação dos sujeitos a essas mudanças, por exemplo: Tempos Modernos , As vinhas da Ira , Como eliminar seu chefe , A creche do papai , Robôs etc. Também podem ser usadas fotografias de jornais ou revistas mostrando situações de trabalho em diferentes momentos do tempo.

A partir da exploração do material, provocar um debate sobre as seguintes questões: quais são as mudanças que o filme ou imagem retrata? Como os personagens reagiram ou parecem estar reagindo a essas mudanças? O que vocês fariam se estivessem no lugar desses personagens? Sistematizar as conclusões do debate e, se for o caso, solicitar aos jovens que produzam uma imagem, na forma de desenho, grafite, charge ou representação semelhante, expressando suas próprias conclusões ou opiniões sobre o assunto. Expor todos os trabalhos elaborados para o grupo.
Atividade 3: Solicitar aos jovens que indiquem quais as profissões e trabalhadores que eles conhecem, por exemplo: vendedor, médico, lixeiro, etc. Listar essas profissões em um quadro. Identificar com os jovens quais dessas atividades geralmente são exercidas como emprego formal. Notar que em vários casos haverá dúvida, pois podem ocorrer as duas situações. O principal é destacar as situações mais típicas e o que diferencia o emprego de outras formas de trabalho. Propor que o grupo se divida em equipes e cada uma monte uma pequena representação, com duração de três a cinco minutos, retratando uma situação vivida por um trabalhador, como: Uma entrevista de emprego , Uma demissão , A venda de um produto , Uma briga entre colegas de trabalho , Uma briga entre amigos , entre outras. Promover um debate a partir das apresentações, destacando nas situações: a diferença de comportamento do trabalhador em uma situação de emprego e em outras formas de trabalho (por exemplo, um vendedor de uma loja e um vendedor ambulante), como os conflitos são resolvidos nas duas situações, como o trabalhador se sente e quais as suas perspectivas nos dois contextos etc.
Atividade 4: Pedir aos jovens que leiam o texto Desempregado,sim; Desocupado, não . Dependendo do grau de desenvolvimento da leitura do grupo e do tempo disponível, poderão ser lidos apenas os três primeiros parágrafos. Destacar a primeira frase do texto Para quem ainda acha que ter trabalho é conseguir emprego... . Colocar a frase em um quadro, na forma de assertiva: Ter trabalho é conseguir um emprego . Indagar se os participantes concordam com essa afirmação ou discordam e solicitar que expliquem suas posições. Solicitar aos jovens que, com base nas afirmações do texto, indiquem as principais vantagens e as desvantagens para o trabalhador de ter um emprego fixo.
Atividade 5: Propor aos jovens a seguinte questão para reflexão: com os conhecimentos e experiência que você possui hoje, que tipo de trabalho você faz ou poderia fazer? Pedir que escrevam a atividade que exercem ou poderiam exercer atualmente em um pedaço de papel, com letras grandes. Afixar os papéis em uma parede ou varal. No caso daqueles que trabalham, pedir que expliquem se possuem um emprego fixo ou exercem a sua atividade de outra forma. No caso daqueles que não estão trabalhando atualmente pedir que indiquem qual a possibilidade (pequena, média ou grande) de conseguir um emprego para exercer a atividade indicada. Separar os papéis segundo a possibilidade maior ou menor de que o trabalhador consiga um emprego formal naquela atividade.
II) Ter um negócio próprio: sonho ou pesadelo?

O objetivo é perceber as oportunidades e os riscos do empreendedorismo e do trabalho autônomo.
Atividade 1: Convidar dois micro-empreendedores para conversar com os jovens, sendo um deles que tenha conseguido sucesso e outro que tenha tido de fechar seu negócio. A partir de experiência relatada por eles, debater com o grupo os pós e contras de abrir um negócio próprio, os cuidados necessários, onde procurar ajuda e outros pontos importantes que emerjam dos depoimentos.
Atividade 2: Colocar ao grupo a seguinte questão: Se vocês fossem começar um negócio, o que vocês iriam fazer? Listar em um quadro as ações sugeridas, destacando as necessidades e os desafios que teriam que ser enfrentados, tais como: a busca de financiamento, informações sobre gestão, acesso ao mercado etc.
Atividade 3: A partir do texto de trabalho do plano de aula, pedir aos jovens que identifiquem as principais oportunidades e riscos para quem começa um negócio próprio. Sintetizar com eles os principais pontos, num quadro. Identificar e registrar os principais locais em que se pode obter apoio e orientação sobre a abertura de micro-empresas, tais como Balcão do SEBRAE, balcão de empregos da Prefeitura, incubadoras de universidades, ONGs que trabalham com empreendedorismo ou com protagonismo juvenil, dentre outros. Apresentar aos jovens um exemplo de Plano de Negócios, destacando a importância desse instrumento na criação de um empreendimento. Esse material pode ser obtido em alguma das organizações citadas acima ou por meio de pesquisa na internet. Uma busca no google (www.google.com.br) fornecerá várias opções de locais que tratam desse assunto. O site www.makemoney.com.br é um dos locais em que se pode conseguir informações detalhadas sobre Planos de Negócios.
Atividade 4: Propor aos jovens que formem pequenos grupos (três ou quatro pessoas) e imaginem que iriam formar uma empresa. Pedir que escolham um nome para ela, definindo seu setor de atividade (produção, comércio ou serviços), para quem venderiam ou prestariam serviços e quais as cinco coisas mais importantes a fazer para começar esse emprendimento. Dar oportunidade para que possam expor e debater os resultados desse trabalho.
III) Trabalhar para quê?

O propósito é levar o jovem a compreender a necessidade de dar um significado e um sentido ao trabalho.
Atividade 1: Apresentar aos jovens fotos ou charges de situações diversas onde as pessoas convivem, tais como: uma festa, uma situação de trabalho, um show etc. Também pode ser solicitado que dramatizem alguma dessas situações. Focalizar um indivíduo presente nessas situações. Pedir que imaginem por que ele ou ela está ali. Qual seria seu principal motivo, o que ele/ela espera que possa acontecer? A partir do debate sobre algumas dessas situações ajudar o grupo a constatar que existem diferentes motivos para as pessoas agirem e esses motivos são importantes para se compreender o sentido que essa atividade tem para elas.
Atividade 2: Retomando o texto Desempregado,sim; Desocupado, não , listar os principais motivos citados que estão orientando jovens na busca de uma profissão e na orientação de sua carreira. Mostrar que motivos como sentir prazer com o trabalho (fazer algo de que se gosta) e contribuir para uma sociedade melhor são cada vez mais importantes, em vez de apenas buscar o sucesso econômico, estabilidade etc, embora esses motivos não precisem (nem devam) ser descartados. Como dizia o poeta Vinicius de Morais, é preciso saber ganhar dinheiro com poesia .
Atividade 3: Solicitar aos jovens que elaborem uma lista das dez coisas que cada um espera ter conseguido quando estiver aposentado. Dar oportunidade para que apresentem as listas e promovam um debate a partir delas.
IV) Economia solidária

O objetivo é levar o jovem a identificar o potencial da economia solidária como resposta ao desemprego
Atividade 1: Debater com os jovens a questão do desemprego a partir de suas próprias experiências e vivências, lançando perguntas como: quem já procurou emprego? O que aconteceu? Destacar a dificuldade de enfrentar individualmente o problema do desemprego.
Atividade 2: Retomar o texto de trabalho do plano de aula e pedir a um dos membros do grupo que leia em voz alta o depoimento de Verônica Sá, da ONG Conexão Solidária. Solicitar a outro participante que comente o depoimento. Com base nas informações contidas no texto, construir com os jovens uma tabela indicando as principais diferenças entre uma empresa tradicional e um empreendimento solidário (mais informações sobre essa questão podem ser obtidas na bibliografia citada no final deste plano de aula).
Atividade 3: Solicitar aos jovens que dividam uma folha de papel em duas partes, registrando em uma delas quais seriam as expectativas de um jovem trabalhando em uma empresa tradicional e um outro, trabalhando em um empreendimento solidário.
V) Como fazer um empreendimento solidário?

O objetivo é identificar caminhos e passos concretos para uma inserção mais criativa e transformadora no mundo do trabalho.
Atividade 1: Convidar um ou mais representantes de empreendimentos solidários (cooperativas, associações ou empresas recuperadas). Solicitar que apresentem a história do empreendimento, detalhando especialmente o que significa esse empreendimento para eles, como é sua relação com esse trabalho. Solicitar aos jovens que preparem perguntas a serem feitas aos convidados. Se possível, organizar uma visita a um dos empreendimentos.
Atividade 2: Solicitar aos jovens que elaborem uma lista de passos que teriam que ser dados para se formar um empreendimento solidário e onde poderia ser obtido apoio para isso. Por exemplo, a rede Unitrabalho dispõe de mais de trinta incubadoras de empreendimentos solidários em todas as regiões do país, que auxiliam gratuitamente os grupos (especialmente os de baixa renda) a formarem seus empreendimentos.
Atividade 3: Propor ao grupo o desafio de elaborar um Plano de Negócios para um possível empreendimento solidário. Ver abaixo sites que apresentam orientações e exemplos. Esse desafio é bastante complexo e pode dar origem a inúmeras outras atividades pedagógicas.
Bibliografia de apoio para os professores

Sobre a concepção de trabalho
ANTUNES, Ricardo. Adeus ao trabalho? (ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho). São Paulo: Cortez, 1995
Sobre a formação de conceitos
VYGOTSKY, L. - Pensamento e linguagem. SP, Martins Fontes, 1988.
VYGOTSKY, Leontiev, Luria. - Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. SP, Icone, 1988.

Sobre significados e sentidos do trabalho
LEONTIEV, Alexis O desenvolvimento do Psiquismo, Lisboa, Livros Horizonte, 1978.

Sobre economia solidária
SINGER, Paul & SOUZA, André R. de. A economia solidária no Brasil: a autogestão como resposta ao desemprego. São Paulo, Contexto, 2000

Links interessantes sobre o tema
No site:
www.ecosol.org.br podem ser encontrados diversos textos sobre a Economia Solidária.
www.unitrabalho.org.br Rede nacional de universidades que apoia a formação de Empreendimentos Econômicos Solidários
www.unisolbrasil.com.br Central de Empreendimentos de Economia Solidária

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