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Plano de aula 27 - Meios de expressão

Este Plano de aula foi elaborado exclusivamente para a Edição 8 da Revista Onda Jovem pelo professor Cadu Dias Lopes

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Há mais doze anos este professor realiza trabalhos em mídia-educação com jovens entre 14 e 18 anos, produzindo jornais escritos, telejornais, documentários, ficções, programas de rádio.

 

Denominando as atividades propostas de “encontros com a criatividade e a produção”, os objetivos do plano de aula:

 

- Desenvolver a capacidade criativa, senso de organização e responsabilidade, reforçando hábitos de disciplina e concentração no trabalho individual e em grupo;

 

- Encorajar a confiança nos próprios meios de expressão, propiciando oportunidades para o pensamento criativo;

 

- Trabalhar as diversas áreas como produção de texto, pesquisa de conteúdo, pesquisa de novos materiais para produção, operação de equipamentos etc;

 

- Compreender as várias linguagens como importantes meios de expressão e comunicação;

 

- Desenvolver a consciência crítica - principalmente em relação aos meios de comunicação, que são fortíssimos formadores de opinião - observando e analisando os produtos feitos por detrás das “câmeras”.


1º Encontro: Descobrindo a Criatividade

 

 

Numa sala, com os alunos dispostos em uma grande roda, o educador propõe, para descontrair, um bate-papo sobre o ser criativo. O que é criatividade? O que é preciso para ser criativo? Essas e outras perguntas do gênero podem ser exploradas. Quando o educador perceber que os alunos entraram no tema, apresenta ao grupo o modelo de “brainstorm”, a famosa tempestade de idéias. Dois ou três jovens serão os relatores das diversas idéias. O ideal é que os relatores não fiquem muito próximos um do outro. Um novo elemento é introduzido na conversa, que é falar sobre comunicação aliada aos elementos criativos do papo anterior. Ao final da bateria de idéias os relatores anunciam os pontos, em comum, que a turma falou. Pela minha experiência acho difícil essa conversa se esgotar, por isso é importante que o educador controle o tempo para que o grupo não disperse com tantas idéias. É importante também não se ter o receio de coordenar o direcionamento das idéias. Dependendo da situação isso pode ser muito produtivo e educativo. O cuidado que o educador deve ter é de não impor, mesmo sem querer, suas idéias. As opiniões do educador podem e devem fazer parte do todo da conversa, desde que estejam afinadas com as idéias dos jovens. Afinal, o “brainstorm” é deles.

 

Para encerrar esse encontro o educador divide a turma em quatro ou cinco grupos e pede uma pesquisa, para o próximo encontro, onde os grupos vão procurar saber mais detalhes sobre os veículos de comunicação e suas formas (jornal, telejornal, revista, rádio etc). Cada grupo, por formato de mídia, deverá apresentar por escrito e com o máximo de detalhes possível, o resultado da pesquisa.

Dicas

 

“Nas ciências, nas artes e nos negócios, a imaginação de pessoas criativas e ousadas é mais importante do que o conhecimento - Albert Einsten”.

 

Um livro muito bom para contribuir nesse momento do trabalho é o “AHA!”, de Jordan Ayan (Negócio Editora) que trabalha o espírito criativo.


2º Encontro: Mão na “massa”

 

 

Neste segundo encontro, a configuração da sala pode mudar um pouquinho. Agora, para facilitar o trabalho,

podemos introduzir uma mesa grande, no centro, onde as pesquisas, documentos e demais materiais trazidos

pelos alunos serão apresentados.

 

O educador pede para que cada grupo apresente o resultado de suas pesquisas. Seria muito interessante se nesse encontro permanecesse a dinâmica dos relatores. Depois do processo terminado, tanto educador e alunos poderão perceber exatamente as etapas do trabalho. Depois que todos os grupos apresentarem seus relatos, a turma definirá em que mídia a produção da turma será realizada.

 

Cabe ao educador observar os graus de dificuldade da produção a ser escolhida. Não que isso seja um problema, mas pode ser produtivo nesse momento facilitar as coisas para os jovens. Como sugestão, proponho a produção de um jornal impresso (pode ser que o grupo opte por outras mídias, o que também não é problema. Em qualquer uma das opções, há muito trabalho para todos e a lógica da divisão de tarefas é, mais ou menos, a mesma). Numa turma a gente sempre encontra aqueles alunos que gostam mais de escrever, outros que gostam mais de desenhar, outros que adoram dar idéias, fotografar etc. Nessa hora o papel do educador é estar sensível para perceber as vocações de seus alunos e privilegiar, na divisão de tarefas, a seleção das tarefas por vocação de aluno. É fundamental que os jovens estejam bem motivados.

Dicas

 

“Quando se permite a elas (crianças), que usem essa linguagem para produzir mensagens, juntamente com seus professores, a auto-estima cresce e essa criança começa a sentir que é uma cidadã do mundo. E aí, no caso, ela passa a colaborar com os professores, com a escola na produção de uma educação diferenciada.”

Ismar Soares - NCE ECA/USP - Brasil (4ª Cúpula Mundial de Mídia Para Crianças e Adolescentes - 2004)

 

Os conceitos de produção de texto para o jornalismo impresso podem ser facilmente encontrados nos manuais de redação de alguns dos grandes veículos como O Globo, A Folha etc, encontrados nas grandes livrarias. É importante que o educador encontre junto com os alunos a “cara” do jornal que eles vão fazer. A identidade visual também é muito importante. Quando se planeja um veículo impresso é sempre bom trabalharmos com um rascunho para que todos possam ajudar na construção da identidade visual e na distribuição das matérias, fotos, etc pelo jornal. Uma outra sugestão é criar um jornal de quatro páginas. Para começar, acho que esse número é o ideal. Mas se o grupo decidir, pode ter oito páginas. Esse rascunho, que depois vai ser o layout do jornal, nós chamamos de “boneco”.

 

Estamos chegando ao fim desse encontro. Imagino que os alunos vão estar “loucos” para fazer logo esse jornal ou a mídia que escolheram. Um bom exercício de casa é pedir que os jovens tragam exemplos de matérias, fotos, desenhos dos veículos impressos que eles mais gostam e também daqueles que eles “julgam” ser “caretas” ou adultos demais para eles.

 

3º Encontro: Fazendo o Jornal

 

 

O educador deve sempre estar reforçando no grupo a importância da responsabilidade, do compromisso de apresentar as tarefas pedidas. O trabalho de casa, se for encarado como um “trabalho profissional”, porque vai ter um sentido de existir que, talvez, os jovens percebam melhor, é sempre mais bem aceito. A dinâmica pode e deve sempre ser descontraída. Mas o compromisso e seriedade nunca podem ser perdidos de vista. Um simples equívoco nesses conceitos pode representar uma enorme frustração na turma porque o produto escolhido pode não ser realizado. Tentar trazer as famílias para dentro desse processo também pode ser muito educativo. Quase sempre encontramos pais, tios, primos que são profissionais de comunicação e que sempre acabam se dispondo a colaborar com o grupo, sentando para uma conversa sobre um tema específico, ou até ajudando diretamente no processo de construção do veículo (mídia). A Educação deve repetir a vida. Na vida, além dos cursos de especialização, também aprendemos muito com pessoas que sabem o que fazem, conhecem as técnicas, têm formação, mas simplesmente estão do nosso lado, e que também nos ensinam muito.

 

Mãos à obra... agora é hora de começarmos dar forma ao jornal. Retomar o “projeto gráfico”, trabalhando no “boneco” é importante para o direcionamento correto do trabalho.É no “boneco” que vai ser visualizada a “cara” gráfica do jornal. Para simplificar, vale dividir a turma em equipes da seguinte forma: equipe de reportagem e fotografia, equipe de ilustradores (responsáveis pelas HQs, charges, e outras ilustrações), equipe gráfica (responsável pela organização - diagramação - de tudo nas páginas do jornal). O educador pode indicar um aluno para ser o coordenador da edição. Mas ele, educador, deve ser o coordenador de todo o trabalho, auxiliando em tudo que for preciso.

 

Um programa para edição e diagramação que eu, particularmente, gosto muito e que não é tão novo assim é o Page Maker versão 6.5. Ele é muito versátil e, depois que se aprende utilizá-lo, não se quer saber de outro.

 

Para que o jornal tenha uma organização efetiva, é preciso que um roteiro, uma pauta de trabalho seja seguida. É a pauta que vai dizer o que vai ser abordado no jornal. Ela é “espinha mestre”, e se for bem organizada será meio caminho para o sucesso do trabalho. Depois que a pauta for definida, as equipes de reportagem e ilustração já podem começar o trabalho. Enquanto isso a equipe gráfica pode ir preparando, no papel mesmo, as definições prévias, ou ordenação, dos espaços físicos em que as matérias, fotos, desenhos vão entrar no jornal.

 

Chegamos ao final desse encontro. O entusiasmo com a possibilidade da concretização do jornal deve estardando o que falar no meio do grupo. Agora é trabalhar duro para a finalização do jornal.

4º encontro: O Jornal Virando Realidade

 

É nesse encontro que o jornal será finalizado. A equipe deverá deixá-lo pronto para a impressão. Mas antes vamos fazer a montagem do mesmo. É fundamental que, agora, todas as equipes tenham cumprido suas metas de apresentar as matérias devidamente revisadas (essa é uma boa oportunidade para envolvermos o professor de português, caso não seja ele que esteja à frente desse projeto), as fotos selecionadas, os desenhos prontos e tudo mais que vai entrar na edição.

 

Produzir um jornal com uma turma é uma oportunidade muito interessante de fazer com que os alunos se apropriem, de alguma maneira, desses recursos que são amplamente difundidos em nossa sociedade e entendam como tudo isso se processa. O educador deve ser o grande facilitador do trabalho dos alunos, orientado na construção dos diversos conceitos, sendo crítico quando perceber que o aluno pode e deve fazer melhor, articulando, dentro e fora do ambiente escolar, a concretização do trabalho, por exemplo, viabilizando a impressão do jornal dentro ou fora do colégio. É importante não esquecer da famosa ficha técnica, onde são colocados os créditos de todos os participantes do trabalho. A diagramação está pronta. Vale fazer uma impressão simples, um “boneco” bem acabado, uma prova do jornal onde serão feitas as últimas correções e ajustes. Geralmente durante a diagramação acaba-se gerando alguns errinhos de digitação, e a correção nesse “boneco” pode ser bem produtiva. Depois de tudo pronto e conferido é hora da impressão. Dependendo do formato (tablóide, A4, A3, etc) que foi escolhido o jornal, a impressão poderá ser feita no colégio ou não. Caso seja feita fora, em alguma gráfica, vale conhecer com antecedência as exigências técnicas que as mesmas fazem para tudo ficar bom. Geralmente as gráficas são bem tranqüilas em relação a questões técnicas, principalmente se o trabalho for simples.Então é só ficar atento e aproveitar o jornal.

 

Referências:

 

 

“Educação para a mídia - do livro A Criança e a Mídia - Imagem, Educação, Participação; por Cecilia VonFeilitzen e Ulla Carlson - editado pela UNESCO

 

“Manual de Redação de O Globo” - Editora Globo

 

“Roteiro - A arte de escrever para cinema e televisão” - Doc Comparato - Editora Nórdica

 

”Manual de Telejornalismo” - Luís Carlos Bittencourt - Editora UFRJ

 

“Guia Kids de Fotografia National Geographic” - Neil Johnson - Editora Abril

 

“Televisão - Manual de Produção e Direção” - Valter Bonasio - Editora Leitura
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