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Jovens, Educação, Trabalho e Felicidade Futura

Pesquisa inédita revela que aumento de oportunidades em educação e trabalho faz dos jovens brasileiros campeões em confiança no futuro

Equipe de Onda Jovem

 

O Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPS/IBRE/FGV), em parceria com o Instituto Votorantim, divulgou em 02/09/08 na FGV, no Rio de Janeiro, uma pesquisa inédita, intitulada Educação e Trabalho do Jovem, coordenada por Marcelo Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais (CPS), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas. Ele assina o ensaio "O futuro está chegando", da nova edição da revista Onda Jovem, e comenta a seguir a pesquisa.

 

O ponto de partida da pesquisa foi a constatação de que o brasileiro de 15 a 29 anos apresenta o nível mais alto de felicidade esperada (cinco anos à frente) entre os jovens de 132 países pesquisados. Argumentamos heuristicamente que ser jovem seria na essência olhar para frente com positividade, esperar que o futuro seja melhor que o presente, o que é confirmado pelos dados etários. O Brasil justificaria os desígnios de “país jovem” já que na média de todas as faixas etárias o brasileiro também é o que apresenta na média o maior Índice de Felicidade Futura. Nos perguntamos ao longo da pesquisa se haveria razão para otimismo da nossa população em geral, e dos nossos jovens em particular. A pergunta-chave empreendida ao longo do estudo é: Haveria razão para otimismo por parte dos jovens? E, se eles serão em boa parte os comandantes do Brasil de amanhã, haveria razão de positividade do brasileiro em relação ao seu futuro? 
Cenário transformado

O grosso das respostas a estas perguntas são endereçadas pela pesquisa na análise da transformação da estagnação trabalhista pregressa dos jovens -- em reversão, e com franca expansão, desde 2004 (e.g. mais de 85% dos novos níveis recordes de empregos formais gerados nos últimos 12 meses são de jovens) – e nos efeitos futuros da melhoria de oportunidades educacionais desde meados da década passada. Finalmente, a faixa etária de juventude no Brasil nunca foi e nunca será tão grande quanto está agora, nos ensinam os demógrafos que criaram o termo dividendo demográfico pelos altos rendimentos prospectivos. Nesta visão, os jovens seriam os motores que vão propulsionar nossa sociedade rumo às novas conquistas.

A pesquisa foi estruturada nos seguintes eixos:

  1. Felicidade Futura - O índice de positividade em relação ao futuro, da população em geral e da população jovem. Comparação do brasileiro com a população de outros 131 países.
  2. Decomposições Trabalhistas - Uma espécie de metodologia Lego (o brinquedo de montar), explicando os pedaços das mudanças de renda do jovem brasileiro. Esta metodologia é simples, direta e usa ingredientes trabalhistas clássicos como escolaridade, retorno da educação, jornada, ocupação e participação. Desconstruimos através desta metodologia os pedaços da expansão trabalhista juvenil presente (2004 a 2008), bem como da estagnação trabalhista pregressa (1992 a 2004). Mostramos o importante papel desempenhado pelas variáveis educacionais quer na fase de crise quer na fase de expansão que se apresenta.
  3. Evolução Pregressa e Prospectivas da Educação - Nos debruçamos sobre a evolução da educação em todo o período, desde 1992, o que, combinado à melhora recente das possibilidades do jovem de transformá-la em mais renda presente e futura, justificaria em parte o otimismo do jovem. 

 

Índice da juventude

O trabalho, que começa com uma abordagem de dados internacionais, termina com dados locais, um Índice da Juventude sintético (IJ) calculado a partir de informações recentes em nível municipal e dividido em três blocos: i) o índice onda jovem – revela a proporção de jovens que enxergamos como ativo (e não passivo) das localidades.; ii) o índice de educação -- mostra a qualidade do investimento realizado nas novas gerações baseado no desempenho dos estudantes; iii) o índice de trabalho -- dá ênfase à geração do emprego formal. Este índice capta em que medida os jovens já estão colhendo os frutos do investimento prévio em educação.

O indicador sintético e seus componentes buscam informar a sociedade em cada município, em véspera de eleição, sobre o estado da juventude, o mais próximo do momento atual, de forma a responsabilizar gestores. Em todos os casos disponibilizamos na pesquisa um extenso banco de dados para cada um dos municípios brasileiros com a letra fria dos números, sem comentários.

O objetivo deste trajeto que começa no Índice de Felicidade Futura, que é o primeiro índice mundial produzido originalmente pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/IBRE/FGV), e desemboca nestes dados municipais, é facilitar o “pensar global, agir local”.
O Índice de Felicidade Futura que tem a sigla IFF vira em inglês Future Felicity Index, cuja respectiva sigla FFI lembra as teclas de avanço rápido para frente dos aparelhos de vídeo e de som, que são hoje linguagem universal.

Talvez a principal inovação desta pesquisa frente a algumas das principais pesquisas disponíveis hoje no Brasil sobre o jovem seja uma atitude mais positiva, de ver o jovem não como um problema, mas como parte fundamental da solução. Em muitos casos, mudamos a cena do jovem brasileiro, mas não a trilha sonora que continua de drama. Em particular, esta última fase é agora marcada pelo novo regime de apagão de mão-de-obra em lugar da crise de desemprego - ambos tem a cara do jovem, apenas estão situados em fases distintas de nossa história recente.
 
Agenda positiva

Mostramos que desde 2004 e até agora em 2008, apesar da crise anunciada vinda de fora, o mercado de trabalho do jovem brasileiro encontra-se em fase distinta daquela do período imediatamente anterior. Os frutos do avanço da cobertura do ensino fundamental chega agora com problemas de qualidade, mas com crescimento de quantidade no ensino médio e em alguma medida mesmo no superior.

A resposta sobre se há base na positividade do nosso jovem recai sobre a nossa capacidade de entregar soluções na área educacional. A má notícia é que, embora tenha havido avanços recentes, a nossa educação se encontra hoje ainda num patamar inferior. A boa notícia é que há uma agenda, colocada pela sociedade civil e pelo estado, apontando desafios auspiciosos nesta área. Na verdade, a resposta às razões do paradoxo do alto Índice de Felicidade Futura (IFF) do brasileiro seria um grande SE.

Acesse a pesquisa no sítio www.fgv.br/cps/jovem

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